A nova versão live-action de A Dama e o Vagabundo, lançada em 12 de Novembro como um dos primeiros títulos originais da nova plataforma de streaming da Disney, o Disney+, é uma completa releitura da animação original lançada em 1955.

A nova versão de um dos maiores clássicos da Disney ficou a cargo do diretor Charlie Bean, conhecido por Lego Ninjago: O Filme e As Meninas Superpoderosas: O Filme. Apesar da pouca experiência na direção de filmes de maior orçamento, a escolha de Bean para o cargo de diretor, parece ser acertada, tendo em conta a sua experiência em trabalhar com animações.

A trama narra a história de amor entre uma cadela chamada Dama (Tessa Thompson) e um vira-lata chamado Vagabundo (Justin Theroux), que a salva do perigo de vagar sozinha pelas ruas, após ficar perdida por conta de acontecimentos que abalaram a vida tranquila e confortável que tinha com seus donos.

O longa em fazer uma nova abordagem à história apresentada na animação original. Diversas sequências foram alteradas por completo, personagens tiveram mudanças visíveis e detalhas, que antes não eram possíveis por conta das limitações técnicas da época, foram adicionados. Esses detalhes, fazem a nova versão de A Dama e o Vagabundo ser um longa despretensioso e corajoso ao reviver uma história tão marcada em nossa memória de uma nova forma. Com isso, o longa acaba por se tornar uma bela homenagem à produção original, que mantêm sua essência, mesmo sob um novo posto de vista criativo.

Existem pequenos detalhes que podem passar despercebidos por quem assistiu a animação original há muito tempo e já não se lembra. Como por exemplo o fato de que os personagens humanos raramente apareciam por completo, por conta da complexidade envolvida no processo de desenho e animação de tais personagens naquela época. Podemos também citar a sequência em que a Dama e o Vagabundo estão em um zoo para pedir ajuda à um Castor — cena que na nova versão foi completamente eliminada, dando lugar à uma breve cena, onde o castor é referenciado em uma estátua.

Até mesmo detalhes mais visíveis como o fato de que cidade apresentada na animação, localizada na região centro-oeste dos Estados Unidos, tem poucas casas e parece ser uma cidade bem do “interior”, coisa que na nova versão do live-action foi repensada. Agora temos uma cidade populosa e dominada pela ascensão do EUA nos primeiros anos do século XX.

Essas e outras pequenas e grandes mudanças, dão um novo sentido à uma história que já nos fora contada no passado, entregando um filme bonito e com características que o faz se diferenciar e se destacar entre diversos outros live-actions de clássicos da Disney que foram lançados recentemente.

A única coisa que incomoda no filme, é a estranheza causada em algumas cenas em que vemos os cães falando. Existe uma mistura de jogo de câmeras e computação gráfica que causa um desconforto inicial, mas acabamos por acostumar ao longo do filme. Essa estranheza também é visível em certos momentos onde os cães reais são trocados por modelos digitais em determinadas cenas. No entanto, os personagens e o elenco nos cativa de tal forma, que relevamos esses pequenos “defeitos” e ficamos imersos e encantados nesse novo mundo criado para uma história com mais de 60 anos.

No entanto, para quem viu a animação original é preciso ressaltar que, sem dar spoilers, o final do live-action, não é o mesmo da produção original, dando uma possibilidade de continuação à história.

A Dama e o Vagabundo é uma linda homenagem à produção original e que, apesar de alguns tropeços, consegue nos divertir e nos emocionar. O longa já está disponível no Disney+.

3.5

de 5

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