Estamos na era dos blockbusters no cinema, quase todos os meses novos lançamentos chegam para lotar as salas ao redor mundo. O que vem se tornando frequente também, são os reboots, remakes e as continuações diretas de filmes clássicos que marcaram suas épocas.

Agora de volta ao seu criador James Cameron, que afirmou que os filmes lançados após o segundo longa da franquia, Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final (1991), não fazem mais parte do cânon da saga, e que o novo filme — onde Cameron assume como produtor-executivo — seria a sequência direta do mesmo. Isto veio como um presente para os fãs, uma vez que foi anunciado a presença de Linda Hamilton como Sarah Connor, e Arnold Schwarzenegger como T-800.

No novo filme dirigido por Tim Miller (Deadpool), logo nas primeiras cenas somos apresentados as surpresas das consequências geradas pelos acontecimentos do filme de 1991, em uma cena de “cair o queixo”, onde Sarah Connor (Linda Hamilton) e o adolescente John Connor (Edward Furlong) são rejuvenescidos em computação-gráfica. Logo em seguida somos apresentados aos novos personagens da saga: a humana com melhorias Grace (Mackenzie Davis), que atua tipo um Robocop com a missão de proteger a jovem Dani (Natalia Reyes), que é o alvo da vez, e o novo modelo de Exterminador Rev-9 (Gabriel Luna), que lembra bastante o T-1000, porém este consegue dividir-se em duas unidades quando há necessidade.

A trama lembra muito os dois primeiros filmes da saga, uma jovem (Dani) perseguida por um robô enviado do futuro (Rev-9) que tenta eliminá-la, pois a partir dela que a humanidade terá esperanças para se reerguer na luta contra as máquinas, sendo assim, os humanos enviam alguém (Grace) para protege-la e alertá-la sobre o futuro. E não tem como não lembrar dos acontecimentos dos primeiros filmes, já que a fórmula é exatamente a mesma, e lembra também a maneira como J.J. Abrams trabalhou em Star-Wars: O Despertar da Força, ao usar os mesmos elementos dos primeiros filmes da franquia para continuar a história.

Esta nova aventura, se espelha nas antigas e tenta ganhar o espectador com cenas de ação com alguns alívios cômicos, que são todas muito boas, com computação gráfica de primeira, mas mais uma vez, por espelhar-se demais nas histórias anteriores, acabam ficando sem originalidade. Não vemos nada de novo para a franquia, ou para os blockbusters no geral, a trama apenas repete algo que já vimos inúmeras vezes em diferentes histórias, inclusive nas de O Exterminador do Futuro. Mesmo assim, não são cansativas, afinal, ver Sarah Connor e T-800, do lado de uma super-humana descendo a porrada em um Robô destrutivo, é para nenhum fã botar defeito.

Os atores estão muito bem, todos eles, principalmente Mackenzie. Os antigos voltam tão bem quanto nos filmes anteriores, Hamilton traz uma Sarah Connor ainda mais casca grossa do que antes, e o T-800 de Schwarzenegger ainda icônico e com o carisma de sempre.

Embora a história não seja ruim, o roteiro de David GoyerJustin Rhodes e Billy Ray segue os mesmos clichês de filmes de ação que estão em alta no momento, o que desanima em certos momentos pois não entrega nada de diferente, e até quando tenta criar um elemento de “girl power” em Dani, não funciona, acaba soando falso por problemas de narrativa e pouco desenvolvimento da personagem. Ainda usa o conceito deus ex-machina para solucionar embates, o que, mais uma vez, cai no clichê dos lançamentos de blockbuster que estão na graça dos espectadores.

Os roteiristas conseguiram fazer um bom desfecho, nada tão espetacular como os anteriores, mas termina de uma forma que emocionará os fãs da saga, principalmente, por apelar bastante para nostalgia e com a ótima trilha sonora de Junkie XL que não deixa a desejar em nenhum momento do longa.

Exterminador do Futuro: O Destino Sombrio, é o melhor lançamento da saga após o segundo filme, mas não é uma continuação à altura, ainda que um bom filme recheado de boas cenas de ação, o sentimento que deixa é de que Cameron não precisa mais mexer neste universo, e deveria aposentar a tão famosa fala do T-800: “Eu vou voltar!”. Mesmo que no fundo ficamos com um gostinho de quero mais…

3.0

de 5

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