O Brasil é um dos países que mais recebem imigrantes e refugiados de todo o mundo, e isso está cada vez mais forte e notório nos últimos anos onde nosso país abriu suas portas para receber as pessoas que querem fugir de suas terras natais por vários motivos, como crise política e econômica, guerra civil ou mesmo para ter uma oportunidade de vida melhor.

Tudo isso foi mostrado na novela Órfãos da Terra, novela das seis da Rede Globo que acabou nessa última sexta-feira (27). Depois de 154 capítulos, chegou ao final a trama que mostrou um pouco dos refugiados de diferentes países, em especial Síria, Líbano e Congo, vindos para a cidade de São Paulo, conhecida como uma das cidades mais diversificadas da América Latina.

A novela da dupla Duca Rachid e Thelma Guedes começou muito bem, mostrando uma excelente e cativante primeira fase, com direção, roteiro e atuações incríveis, mas foi decaindo na última fase da trama, distorcendo o ótimo roteiro inicial, focando só em vinganças e personagens charlatões, típicos de novela brasileira.

Divulgação/TV Globo

Uma das personagens mais marcantes da trama era Dalila (Alice Wegmann), que na primeira fase era somente a filha rica do sheik Aziz (Herson Capri), que mesmo sendo o vilão da novela até então, tinha bastante coerência, retratando muito bem a vida de poderosos do Oriente Médio, em ter diversas mulheres e não admitir dividi-las ou ser recusado por alguma que ele desejar.

E foi então que a trama começou a dar pé, mas por pouco tempo, quando a síria Laila (Julia Dalavia) foi obrigada a casar com o sheik sem o desejar, trazendo a revolta ao poderoso árabe e assim fugir com seu amado Jammil (Renato Góes) para São Paulo. A partir desse momento a trama começou a dar uma capengada, um roteiro sonolento, sem muito sentido em muitos momentos, mas ainda “assistível”.

A novela das seis voltou a ascender quando o sheik foi assassinado e sua querida filha queria vingança. A vingança foi muito boa no início, para assistir, é claro, mostrando o que estava por trás da mente confusa e carente de Dalila. Aí eis que chegamos a última fase da novela, e meses depois a vingança da moçoila virou algo cego, muito cansativo, exagerado e típico de novela das nove. Inclusive por muitos momentos você poderia ver fácil a novela sendo exibida no horário nobre e não no horário onde a maioria das novelas tinha uma certa serenidade.

Divulgação/TV Globo

Tramas paralelas

As histórias paralelas seguraram bem mais a trama do que o trio de protagonistas. Missade (Ana Cecília Costa) e Elias (Marco Ricca), pais de Laila, sofreram muito para chegar ao Brasil, perdendo sua casa na Síria e junto o filho caçula do casal, mas aqui não foi muito diferente e pudemos ver a personagem matriarca chorando em 90% dos capítulos.

Já do lado da família de Missade que morava em São Paulo, temos a querida Rania (Eliane Giardini), mulher de Miguel (Paulo Betti) e mãe de Zuleika (Emanuelle Araújo), Aline (Simone Gutierrez) e Camila (Anaju Dorigon). Essa última era a filha rebelde que queria ser rica, mas graças a sua obsessão por dinheiro levou muita porrada durante a trama e se tornou uma das personagens mais queridas, inclusive sendo pivô de um momento memorável nos últimos capítulos com um beijo no casamento dela com a Valéria (Bia Arantes).

Divulgação/TV Globo

O elenco cômico nos deu bons momentos, engraçados e até emocionantes, como os pombinhos Sara (Verônica Debom) e Ali (Mouhamed Harfouch), ela judia e ele árabe, unindo as duas famílias rivais depois de gerações de luta. Isso também foi possível ver com os dois vovôs Boris (Osmar Prado) e Mamede (Flavio Migliaccio), inimigos, mas que no final se tornaram melhores amigos. Abner (Marcelo Médici), sua mãe Ester (Nicette Bruno) e sua esposa Latifa (Luana Martau) com certeza foi o trio mais divertido da trama, não ficando muito atrás da empregada Santinha (Cristiane Amorim) e seu “milk shake das arábias” Fauze (Kaysar Dadour) dando um show a parte.

Apesar de ter tido alguns pontos muito ruins, a novela contou com uma excelente escolha de elenco, atores e atrizes com traços árabes, uma ótima fotografia e claro, a exibição de histórias reais de refugiados na cidade paulistana. Órfãos da Terra finalizou sua jornada como uma ótima novela, desbancando até grandes tramas do gênero do canal do plim plim.

4.0

de 5

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