Crítica | Avatar (2009)

James Cameron, além de dirigir filmes de sucesso como O Exterminador do Futuro (1984), O Exterminador do Futuro 2 – O Dia do Julgamento Final (1991) e O Segredo do Abismo (1989), que rapidamente se tornaram cultuados por fãs, conseguiu a façanha, alguns anos mais tarde, de alcançar a maior bilheteria mundial — até então — com o lançamento de Titanic (1998), e conquistar 11 Óscares com a produção. E desde então, Cameron atraiu a atenção de ainda mais pessoas para o seu trabalho que ganhava proporções cada vez maiores a cada novo projeto. E com Avatar (2009) não foi diferente.

Cameron já disse em entrevistas que começou a pesquisa para criação de seu mundo fantástico antes mesmo do lançamento de Titanic, e que o longa deveria ser lançado em 1999, mas só começou a perceber avanços tecnológicos anos depois, após ver a tecnologia de captura de movimentos utilizada para criar Gollum em O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001), e perceber o rápido avanço da tecnologia nas duas sequências lançadas nos anos seguintes. Isso foi o que impulsionou o diretor a focar na criação do seu maior projeto até então, pois já sentia que a tecnologia estava avançando o suficiente para ser capaz tirar suas ideias do papel.

Com um elenco repleto de nomes famosos como Sam Worthington, Zoë Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi e Joel David Moore, Avatar chegou aos cinemas brasileiros em 18 de dezembro de 2009 e se tornou a maior bilheteria mundial até então, arrecadando US$ 2.789.700.000, marco que só foi ultrapassado recentemente com a estreia de Vingadores: Ultimato (2019).

A trama do filme se inicia no ano de 2154, onde vemos a corporação RDA investindo todos os seus esforços para explorar as reservas de um poderoso minério chamado Unobtainium, em Pandora, uma das luas de Polifemo, um dos três gigantes gasosos fictícios criados por Cameron que orbitam Alpha Centauri. Liderados pela Dra. Grace Augustine (Sigourney Weaver) criam o Programa Avatar, onde criam híbridos humano-Na’vi geneticamente modificados. Um humano que compartilha material genético com um Avatar é capaz de estabelecer conexões neurais com o seu híbrido e pode assumir o controle do seu corpo. Essa é uma das formas encontradas pelos humanos para se aproximarem dos nativos do planeta e tentar estabelecer algum tipo de relação com este povo. Porém, com a perda de um dos membros da equipe da Dra. Augustine, Jake Sully (Sam Worthington), um ex-fuzileiro paraplégico, é recrutado para o programa em troca de dinheiro para curar sua paralisia, e é a única alternativa da equipe por partilhar o mesmo material genético que seu falecido irmão gêmeo, possibilitado a conexão com seu Avatar.

James Cameron usa elementos fortes para criar seu novo universo, e isso é um dos grandes destaques e acertos do filme. Cameron nos apresenta um planeta completamente fantasioso e visualmente deslumbrante, com cores vivas e atmosfera imersiva, criaturas que compõem uma fauna ameaçadora, além dos Na’vi, deixando claro que além de se basear muito em conceitos e outras obras de ficção científica, Cameron também usou fortes referências como J. R. R. Tolkien, ao ter todo o cuidado na hora de criar diferentes espécies e locações para o seu mundo fantástico e dar a cada um deles, características que os tornam únicos, como a língua na’vi criada pelo linguista Paul Frommer, a principal forma de comunicação entre os nativos do planeta. Também é visível a mensagem de preservação do meio ambiente deixada por Cameron, e da importância em respeitar outras culturas, ao vermos os Na’vi, que possuem fortes ligações religiosas com a natureza, serem perseguidos e terem seus locais sagrados destruídos pelos humanos, em episódios de invasão e domínio bastante semelhantes aos que vemos durante o grande período dos Descobrimentos, onde povos eram considerados estrangeiros dentro de suas próprias terras e eram obrigados a aceitar a doutrina daqueles que invadiam seu território.

Avatar venceu 3 das 9 indicações que recebeu ao Oscar, incluindo Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhores Efeitos Visuais, prova que afirma a importância do filme nestas áreas por nos apresentar um longa com design de produção invejável, fotografia minuciosamente bem cuidada e efeitos visuais que fizeram história e ajudaram a impulsionar diversas técnicas e tecnologias que vemos hoje em filmes de diversos gêneros.

É importante ressaltar que apesar dos diversos conceitos e mensagens e sucesso do longa nas bilheterias, muitas pessoas — como é normal com qualquer outro filme — não curtiu o longa, seja pela sua história simples que foca muito em apresentar Pandora e os Na’vi e deixa muita coisa subentendida para o espectador ou por conta do filme ser, o que muitos chamam, de “uma grande animação”, por conta da produção se apoiar na computação gráfica para criação de mais de 90% das cenas do longa; computação esta que juntamente com a captura de movimentos revolucionou o cinema e os filmes que foram lançados daí em diante.
Apesar de ser um filme agridoce para muitos, mas representar um grande marco para a história do cinema, Avatar é uma obra que merece respeito pelos feitos alcançados e é um ótimo exemplo de criação de universo que funciona na tela, apesar de pecar em diversos diálogos que parecem dispensáveis para o desenvolvimento da trama, além do fato dos efeitos visuais do filme em determinadas cenas já estarem um pouco datados.

O universo criado por Cameron, deve ganhar nos próximos anos novas sequências que prometem explorar mais o relacionamento de Jake e Nyetri (Zoë Saldaña), além de focar em outras partes do ecossistema e Pandora, como os mares do planeta.

4.0

DE 5

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Ygor Castro

Uma das mentes por trás do CN42 e também criador do Megacreative. Geek, apaixonado por cultura pop, fotografia, livros, cinema, séries de TV, astronomia, arqueologia e História.

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