Crítica | Beginners (2010)

Beginners, ou, como a tradução brasileira quase acerta, Toda forma de amor, se torna facilmente intenso e triste, realmente, no decorrer das cenas. Ele discorre sobre o luto como uma dança lenta enquanto martela cenas tocantes e profundas com um jazz melodramático ao fundo.

Alternando entre presente, passado e mais passado ainda, conta a história de Oliver lidando com a morte de seu pai, Hal Fields, um senhor que, após a morte da esposa, se assume homossexual para o filho e, após isso, nas palavras dele:

Não quero ser teoricamente gay, quero fazer algo a respeito.

Hal Fields, Beginners (2010)

O filme anda lentamente através das épocas — 2003 e a década de 70, mostrando brevemente a infância de Oliver —, e, na atualidade, demonstra um romance inesperado e suave, como uma música da Doris Day sobre simplicidade. Neste romance, Oliver encontra Anna em uma festa à fantasia, sendo Oliver o psicanalista Freud, e Anna como Chaplin. Eles discorrem rapidamente sobre os pais de Chaplin — ainda nos personagens — e logo explodem em intimidade, fazendo com que as cenas se tornem cada vez mais contagiantes, divertidas e introspectivas, mostrando o início de uma relação cômica e confortável.

Enquanto assistimos o romance entre Oliver e Anna florescer, o filme volta para colocar Hal Fields em foco e mostrar que as escolhas e quem você é, é que fazem com que a vida possa ser dançante. Imergimos em uma breve volta pela descoberta e plenitude que Hal mostra com a vida aberta e sincera que ele leva consigo mesmo, até cair ladeira a baixo com os acontecimentos futuros — vamos privar vocês dos spoilers.

A mágica do filme acontece de minuto em minuto, abordando poesia singela e música do século passado com cenas tocantes e frases marcantes. Ele adentra em específicas relações humanas, mostrando os defeitos e inseguranças dentro delas e como isso pode se tornar bonito e dramático ao mesmo tempo.

Num geral, ele trata de luto e nostalgia contornando respingos de romance. Entre abordagens críticas e referências infames, acaba travando o desenvolvimento da história em certas partes, podendo deixar o filme cansativo ou até mesmo desconfortável.

Toda Forma de Amor é um filme ingênuo, peculiar, instável e muito subestimado. Revelando uma obra bonita, simples, rica em emoções com a atuação impecável de Christopher Plummer — que com mérito, levou três prêmios de ator coadjuvante para casa — e Ewan McGregor, como pai e filho.

Pessoalmente, amo a filosofia dele sobre sentimentos de perda, saudade, paixão e nostalgia. Que faz com que me sinta preso em um momento, repetindo esse mix de sensações agridoce e observando relações utópicas (apesar dos defeitos delas).

Toda Forma de Amor

Beginners

Ano: 2010
Duração: 105
Direção: Mike Mills
Roteiro: Mike Mills
Elenco: Christopher Plummer, Ewan McGregor, Mélanie Laurent

NOTA

Robert Roxo
Um escritor amador que dispõe de algum tempo da vida pra fazer o que gosta em tempos confusos. Casado com a sétima arte e amante de todos os outros tipos de arte.