Crítica | Cruella (2021)

Seria possível nascer cruel ou é algo que a pessoa se torna ao longo da vida? Após assistir ao novo longa da Disney, Cruella, podemos nos perguntar: seria ela a vilã mais cruel?

Diante das novas propostas da Casa do Mickey, vimos alguns personagens apresentados de uma ótica diferente, foi assim com Malévola, onde vemos que os vilões também têm sentimentos e isso os leva a cometer maldade. Porém, nesse filme voltado para a outra vilã bem conhecida, temos algo um pouco inesperado, onde não só ela tem sentimentos como os outros, mas também possui a maldade nela.

Todo o enredo do filme faz referência ao desenho animado, 101 Dálmatas (1961), aqui podemos ver como a jovem Estella se transforma em Cruella, e como ela chega a ser a vilã do desenho que conhecemos. Portanto, o telespectador deve ficar atento a todos os nomes e lugares mostrados, os personagens tão amados estão escondidos no longa.

Aproveitando esse gancho, hora de comentar as atuações. Nessa era em que as mulheres estão ganhando destaque, nada mais justo que um elenco de peso estivesse presente, depois de Glenn Close dar vida a vilã icônica em 101 Dálmatas (1996) e 102 Dálmatas (2000), temos a brilhante Emma Stone nos trazendo uma atuação extremamente marcante como a protagonista e disputando o espaço sua xará Emma Thompson como a rude Baronesa, o que essas têm em comum? Assista ao filme e vão entender, e Kirby Howell-Baptiste como Anita dá um charme especial ao longa.

Já os papéis masculinos, o único que merece destaque é Joel Fry como Jasper, ou Gaspar como ficou conhecido, Mark Strong por mais talentoso que ele seja, traz uma atuação um pouco decepcionante para quem já o viu em outros filmes. Paul Walter Hauser como Horácio tem uma química excelente com Fry e os dois ficam ótimos ao lado de Stone, não esquecendo de John McCrea como o queridíssimo Artie, sem ele Cruella jamais teria ficado tão fabulosa no filme.

A equipe de figurino merece todo o crédito pelo sucesso do longa, impossível um personagem estar mal vestido durante o filme, a maquiagem também acerta e muito, dando ao filme todo o estrelato que ele prometeu ser. Sendo um longa que mostra a vida de estilistas, não podiam errar nessa questão.

Mas o que dá um certo desconforto no longa são os efeitos, não sei se por conta da pandemia esse quesito vem caindo de qualidade, ou os nossos olhos estão ficando mais atentos, mas em diversos momentos podemos sentir que algo está fora do contexto do filme, os cachorros tão marcantes na carreira da vilã, em muitos momentos fica difícil saber se são de verdade ou não. Além do final, pecar num efeito aparentemente tão simples.

A trilha sonora, que já havia sido divulgada uma semana antes da estreia, dá o toque especial que só a música de fundo consegue, deixando as cenas impactantes o suficiente para levar o espectador a se envolver com elas.

Após toda essa análise, resta dizer que o longa surpreende por trazer uma história de origem para uma animação tão antiga, apesar de já haver live-actions, esse filme é uma prévia da animação, fazendo com que nós entendêssemos um pouco da amizade e respeito entre Anita e Cruella, assim como o desprezo de Roger (Kayvan Novak) por ela, porém há uma cena pós créditos que te fará respeitar a vilã.

E sim, ela não termina como uma simples pessoa, ela assume de uma vez por todas a sua crueldade, um diferencial apresentado pela Disney nesse longa.

Cruella

Cruella

Ano: 2021
Duração: 137
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Dana Fox, Tony McNamara
Elenco: Emma Stone, Emma Thompson, Joel Fry, Paul Walter Hauser, John McCrea, Mark Strong, Kayvan Novak, Kirby Howell-Baptiste

NOTA

Ale De Souza
"O crítico é ao mesmo tempo inútil e indispensável" André Bazin. Uma simples cinéfila e crítica amadora.