Crítica | Doctor Who (2005) – 1ª Temporada

Doctor Who é um precursor da ficção científica, uma série de televisão criada em 1963 que conta as aventuras do misterioso e enigmático Doutor, que ao lado de sua inseparável nave em forma de cabine telefônica policial, a Tardis, viajam pelo espaço-tempo impedindo catástrofes e ameaças.

A série se tornou um ícone mundial, ganhando fãs a cada transmissão das divertidas, curiosas viagens do Doutor e seus companheiros. Após um longo hiato que vinha se estendendo desde 1989, causado por quedas de audiência, desinteresse de fãs, interferências do estúdio, a série voltaria mais tarde em 2005 para reinventar a fórmula.

Com Christopher Eccleston e Billie Piper nos papéis principais, Doctor Who, de 2005, conseguiu conquistar uma nova geração de fãs, conseguindo se manter até os dias de hoje.

O Doutor é um Senhor do Tempo, seres do planeta Gallifrey que conseguem viajar pelo espaço-tempo através de tecnologia muito avançada. Ele é o último de sua raça, já que uma misteriosa Guerra do Tempo destruiu Gallifrey. Sempre que o Doutor se fere mortalmente, ele consegue se regenerar, assumindo um novo corpo e uma nova personalidade. Isso funciona muito bem, pois assim o formato não fica cansado, um novo ator e um novo elenco sempre é introduzindo, mas é claro, mantendo a essência principal da série. Aqui não difere, já que nos é apresentado o nono Doutor. Logo percebemos sua personalidade cuidadosa e discreta, determinada, inteligente, e leal, já que logo na primeira cena ele salva a jovem Rose Tyler de ser assassinada por manequins assassinos que aparentemente ganharam vida através de um alienígena.

A partir daí, Rose se torna a nova parceira do Doutor, acompanhando-o em suas aventuras. Cada capítulo segue de forma bem direta e episódica, mas com a premissa da série era impossível esses episódios serem desinteressantes ou vazios. Cada aventura tem personagens bem escritos, ameaças memoráveis, e constantemente muda de estilo visual, desde estações espaciais futurísticas, até mansões da era vitoriana. A série também respeita a evolução dos personagens, cada episódio muda o nono Doutor, que carrega o peso da Guerra do Tempo em suas costas enquanto aprende a se reconectar com a raça humana através de Rose, que evoluí e encontra sentido em sua vida vazia. No fim da temporada, você sente uma bela sensação de dever cumprindo ao acompanhar a relação daqueles personagens evoluir de companheiros de viagem, para grandes amigos.

A temporada não é perfeita, porém. É um tanto estranho e incomodante ver figuras psicodélicas de CGI em pleno 2005, com qualidade duvidosa e noventista, estraga um pouco o impacto que certos monstros e vilões deveriam ter, além de que as cenas de ação que deveriam deixar o espectador preso ao momento acabam por se mostrarem meio toscas. Alguns episódios são mais fracos que outros, como se espera desse formato de série, mas nenhum chega a ser ruim. Você vai amar, odiar, se emocionar e se revoltar com as tramas desses episódios, e cada vez mais amar o Doutor.

No fim das contas, essa primeira temporada de Doctor Who consegue ter um tom refrescante para novos telespectadores, e, ao mesmo tempo, nostálgico para velhos saudosistas da série clássica, não medindo esforços para agradar a todos os gostos. Não é o melhor que Doctor Who tem a oferecer, mas é certamente uma das melhores introduções para uma das melhores séries de todos os tempos.

Doctor Who

1ª Temporada

Ano: 2005
Canal: BBC One
Elenco: Christopher Eccleston, Billie Piper

NOTA

Cauã Cardoso
Leitor de quadrinhos e livros, gamer por natureza e escritor de artigos amador. Apenas um jovem nerd tentando construir seu próprio caminho como tantos outros.