Crítica | Enola Holmes (2020)

Sherlock Holmes é conhecido pela sagacidade que tem, pelo seu senso de dedução aguçado e sua inteligência intelectual — pois emocional ele carece. Seu raciocínio lógico é avançado, porém não é de Sherlock que será falado neste artigo. Bom… não totalmente. Conheçam sua irmã: Enola Holmes.

Enola Holmes (Millie Bobby Brown) é uma menina adolescente cujo irmão, 20 anos mais velho, é o renomado detetive Sherlock Holmes (Henry Cavill). Quando sua mãe (Helena Bonham Carter) desaparece, fugindo do confinamento da sociedade vitoriana e deixando dinheiro para trás para que Enola faça o mesmo, a menina inicia uma investigação para descobrir o paradeiro dela, ao mesmo tempo em que precisa ir contra os desejos de seu irmão, Mycroft (Sam Claflin), que quer mandá-la para um colégio interno só de meninas. A caminho de Londres, ela conhece um lorde fugitivo (Louis Partridge) e passa a desvendar quem pode estar atrás do garoto e que quer impedir que uma importante reforma política inglesa aconteça.

Diferente das obras anteriores de Sherlock Holmes, este filme envolve uma crítica social principal: o direito das mulheres — o que na época em que o filme é passado acaba sendo o foco principal. Duas mulheres que, apesar de ter homens em sua vida, só tinham uma a outra.

Enola é uma menina péssima ciclista, “inocente”, porém sagaz que luta pelos direitos de uma garota. Ela não é uma menina convencional, por isso acaba sendo menosprezada pelo próprio irmão Mycroft e por pessoas que julgam a sua situação pelo lado de fora, em uma sociedade onde ser mulher é ser “requintada”.

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O filme se passa no meio de uma reforma política para garantir o direito de voto de todos, onde há vários fatores para impedir tal reforma. Apesar de a época ser mais antiquada, fazendo com que as mulheres se vistam de tal maneira, tenham toda etiqueta que possam ter e ao invés de focar na sua inteligência ter que focar em uma elegância superficial. A mãe de Enola, Eudoria, a criou para ser uma verdadeira lutadora, não apenas fisicamente, mas socialmente. Criou-a tendo a educação de uma mulher brava, fiel aos seus próprios princípios e não os da sociedade em que elas vivem.

Muitos podem sentir que o filme não é tão no estilo de Sherlock, porém o estilo do filme é aventura, apesar de mostrar as peculiaridades de uma família tal como a Holmes, onde todos têm uma espécie de inteligência que não é encontrada em famílias convencionais. Além de tudo ele deixa abertura para uma nova sequência no futuro, o que parece ser o caso.

O filme traz o lado sentimental de Sherlock, o que não ocorre em muitas obras, pois ele sempre é tachado de frio e calculista; por isso mesmo ele acaba sendo chamado até de psicopata na série Sherlock, que ele corrige dizendo que é “sociopata de alto funcionamento”. Porém nesta obra em questão, talvez por envolver sua família, ele acaba mostrando interesse em sua irmã eventualmente —mais do que um mero caso, mas como alguém que ele deve cuidar, talvez por culpa.

5.0

DE 5

Barbarella
Nerd, futura engenheira de computação e apaixonada por livros, filmes e séries; atrofísica, história, ficção científica e várias outras coisas. Sempre em busca de aventuras. Escrever é uma delas.