Crítica | Love, Victor – 1ª temporada

A série, que traz a sequência do filme Com Amor, Simon, estreou em junho no serviço de streaming norte-americano Hulu e já agradou muito os fãs do longa. Love, Victor não decepcionou na expectativa, afinal a série conta na produção com o próprio Nick Robinson, que protagonizou Simon na franquia das telonas.

Love, Victor foca na vida de Victor Salazar (Michael Cimino) que, junto com sua família latina e tradicional, se muda para a cidade de Atlanta, onde ele e sua irmã Pilar (Isabella Ferreira) continuam seus estudos no colégio Creekwood. Esse mesmo colégio foi onde Simon também estudou e passou por todos os fatos que acontecem no filme.

Como estava em um momento de autodescoberta e tentando entender seus sentimentos, que para ele eram sentimentos errados, Victor começar a ter contato virtual com Simon e pede ajuda ao novo amigo, que o ajuda das melhores formas possíveis com sua aceitação.

A série mostra de forma certeira o que muitos LGBTQIA+ passam na adolescência, a não aceitação, a dúvida de certos sentimentos, o que é errado, o que é certo, o que os pais e amigos vão pensar sobre tudo isso, até o momento da aceitação, da certeza de seus sentimentos, que nada do que sente é errado, e que é preciso assumir aos pais e amigos, no momento adequado, o que ele é e o que ele sente.

Por um lado Victor tem uma família muito tradicional, mesmo ao passarem por dificuldades e falta de confiança entre vários membros dela, por outro Victor teve sorte nas novas amizades, não só de Simon, mas os amigos que conquistou no colégio Creekwood, amigos de verdade, que estão ao seu lado independente do que ele fosse assumir a eles.

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Por toda essa luta pela orientação sexual que Victor está passando, ele acaba magoando algumas pessoas, como o caso de Mia Brooks (Rachel Naomi Hilson), que além de amiga, se tornou sua namorada. Mas por quem realmente seu coração palpita é seu colega de trabalho que estuda no mesmo colégio, Benji (George Sear).

Benji é assumidamente gay e isso incomoda Victor, talvez por ele não conseguir se aceitar dessa forma também. Mas com toda a sensibilidade e empatia de Benji, os dois começam uma linda amizade, com um limite nela, afinal Benji namora, mas a aproximação dos dois faz com que essa amizade vá além do objetivo inicial.

Vale ressaltar outros personagens marcantes como Felix (Anthony Turpel), novo vizinho de Victor que se torna seu melhor amigo. Apesar de ser um cara estranho, Felix é um personagem-chave para toda autodescoberta de Victor, o braço-direito do amigo e seu maior conselheiro. Felix é apaixonado por Lake (Bebe Wood), melhor amiga de Mia, viciada em suas redes sociais e que sonha em ser popular. Lake é muito engraçada, parece durona, mas tem um coração enorme. Felix e Lake são muito diferentes na vida social, mas muito parecidos dentro de casa, ambos têm problemas com suas mães, e isso une muito os dois.

A série trouxe algumas controvérsias em sua época de divulgação por focar em um adolescente gay mas protagonizado por um ator hétero (o mesmo caso ocorreu com o filme). Mas isso não deixou de fazer Love, Victor uma ótima produção, com um bom roteiro, ótimos personagens e uma história linda e essencial.

5.0

DE 5

Daniel Orellana
Viciado em séries e música e fã de filmes de terror.