Crítica | Ragnarok – 1ª Temporada

Ragnarok é uma série de suspense e fantasia de origem norueguesa e dinamarquesa que estreou dia 31 de janeiro na Netflix. Criada por Adam Price e produzida pela SAM Productions, tem como base a mitologia nórdica e conta a história de Magne e sua família ao chegarem numa cidade fictícia chamada de Edda que está consumida pela poluição e acontecimentos misteriosos.

Se tratando de uma produção que envolve mitologia nórdica, mais especialmente os poderes de Thor e os gigantes, é quase impossível não fazer comparações com os filmes de Thor da Marvel Studios, ainda mais se você for um fã de carteirinha. O interessante é que, ao fazer isso, somos surpreendidos pela grande divergência entres os dois universos unidos pelo único fato de nascerem através das lendas escandinavas.

O herói desta vez é Magne, um menino autista e antissocial que ao chegar em Edda com sua família começa a ter uma mudança inesperada na sua vida. Sem muitos amigos no novo lugar ele tenta por si próprio desvendar os mistérios da cidade. De início a história parece ser bem empolgante, com vários efeitos especiais e disseminando no espectador um pensamento reflexivo sobre as nossas atitudes perante o meio ambiente, porém a lentidão no qual os fatos vão desenrolando torna a série um tanto tediosa. Até mesmo o enfrentamento entres os personagens caminha a passos de tartaruga, exigindo paciência para quem esperava uma série tendo o mesmo ritmo de uma hollywoodiana. Entretanto, Ragnarok tem sua própria essência ao juntar a destruição do meio ambiente com o sentido de Ragnarok — acontecimentos que levam ao fim do mundo na mitologia nórdica — criando um fio de ligação sutil e coerente entre os dois.

Por se tratar de uma trama adolescente é inevitável a forte presença deles, porém não é apresentado problemáticas sobre esta fase além de decepções amorosas que, em alguns momentos, roubam vários minutos nos fazendo esquecer que se trata de uma série fantasiosa.

A atuação fica por conta de David Sjøholt, Emma Bones, Theresa Eggesbø, Herman Tømmeraas e Jonas Strand Gravli sem nenhum grande destaque de encenação entre esses. Talvez o principal fator para que isso aconteça seja a falta de aprofundamento dos personagens, o que limita o possível talento que eles possuem. No entanto, Magne, protagonizado por David Sjøholt, que apesar de ter uma personalidade clichê faz caras e bocas para entregar uma melhor performance perante o personagem que lhe foi dado.

No geral as atuações não são ruins, simplesmente não há situações interpessoais fortes o suficiente que exijam tanto dos atores. Já a fotografia da série é sem dúvida o ponto forte. São abundantes as cenas que expõem a natureza escandinava, focando na beleza das montanhas que contrastam com as águas. Claro que nada mais coerente mostrar a natureza tendo em vista o propósito da produção, porem esse excesso conduz o espectador a relaxar e aproveitar a beleza natural. Em contraste a isso está a utilização dos efeitos especiais que, apesar de bem feitos e bonitos parece que houve um pensamento de racionamento em relação ao seu uso durante a história.

Um aspecto curioso são as breves definições de algumas figuras e momentos da mitologia nórdica no início de cada episódio, o que ajuda o telespectador a entender mais sobre esse mundo sem ter a necessidade de parar o episódio e ir no google pesquisar.

Ragnarok, por tanto, é uma série não necessariamente destinada para fãs do Thor da Marvel, mas sim pessoas que buscam pela temática escandinava e sem ter uma sede por uma história de altos e baixos.

3.5

DE 5

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Maria Cristiane Holanda

Uma jovem manauara que sonha em ser uma escritora de renome, que ama a cultura asiática e aprender idiomas diferentes.

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