Crítica | Reality Z – 1ª Temporada

A nova aposta brasileira na Netflix é a série de zumbis Reality Z. Enquanto manifestantes tomam as ruas do Rio de Janeiro em luta contra a corrupção, um reality show acontece para entreter as pessoas e esquecer um pouco do caos político.

O reality se chama Olimpo, e é apresentado por ninguém menos que Sabrina Sato, ou Divina, como é o nome de sua personagem. Vale lembrar aqui que Sabrina ficou famosa após participar da terceira edição do Big Brother Brasil, então ninguém melhor do que ela para fazer essa interpretação na série.

É então que o caos nas ruas cariocas toma o lugar para uma série de assassinatos realizada por… mortos-vivos. E com uma incrível rapidez, os andantes chegam até o local onde o reality show está acontecendo e o vuco-vuco sangrento dá início, paralisando o reality e acabando com a grande maioria dos membros da produção.

As únicas pessoas que não fazem ideia do que está acontecendo são os confinados na casa do Olimpo, até que uma das sobreviventes da produção, uma espécie de estagiária do programa, Nina (Ana Hartmann), entra na casa para fugir dos zumbis e tentar explicar para os participantes do reality o que está acontecendo, e é aí que a série começa a pecar. Os produtores não aproveitaram muito essa fortaleza televisiva, onde poderiam deixar os confinados do programa um tempo sem entender o que estava acontecendo no mundo exterior.

A série peca em alguns outros quesitos, o elenco é bem fraco, as atuações são bem ruins, apesar que podemos entender que nele faz parte a própria Sabrina e o modelo Jesus Luz.

Mas o elenco se salva também com algumas pessoas, como o ator Guilherme Weber, que faz o diretor do reality, que é um cara extremamente escroto e que só pensa nele para poder se salvar do apocalipse, o ator Ravel Andrade, que interpreta o Leo, filho da mulher que criou toda a estrutura onde o Olimpo é produzido e a atriz Luellem de Castro, que faz a Teresa, uma mulher negra que é presa pela polícia em meio ao apocalipse, e mesmo com o mundo acabando, os policiais não a soltam tão facilmente, deixando aí uma pontada nítida da vida real.

Além disso, o roteiro e a direção também pecam muito, há falhas bizarras, desde o andamento de alguns personagens, alguns erros de continuidade e principalmente as ideias nada geniais que os personagens têm para evitarem ser comidos pelos zumbis.

Mas nem só de defeitos essa série é feita. A maquiagem e a caracterização dos zumbis são muito realistas. A trilha sonora também é muito boa, escolheram ótimas músicas brasileiras que são usadas em momentos certeiros nas cenas.

Reality Z é baseada na minissérie britânica Dead Set (2008), que foi criada por Charlie Brooker em que o reality show é o próprio Big Brother de lá e a atriz que faz a apresentadora do reality é a Davina McCall, que foi realmente apresentadora do reality por 10 anos. A minissérie original é muito melhor, mais inovadora, bem produzida e roteirizada, então após assistir Reality Z aconselho a assistir Dead Set também para sentir essa diferença.

Reality Z é uma série de zumbis bem trash, cômica, e mesmo com vários defeitos é boa de assistir e passar o tempo.

3.5

DE 5

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Daniel Orellana

Viciado em séries e música e fã de filmes de terror.

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