Crítica | See (1ª temporada)

Em terra de cego, quem tem um olho é rei!”. O famoso ditado resume bem o que acontece no mundo em See, a primeira grande produção do Apple TV+ e uma das séries mais caras de todos os tempos.

No século XXI, uma pandemia matou bem mais da metade da humanidade e os sobreviventes, ficaram cegos. A nova etapa de evolução do ser humano passou a nascer sem o sentido da visão, assim, no futuro, ver é um ato de heresia. Com essa distopia, entramos no mundo de See. Nessa imaginação de futuro, a humanidade não progrediu com avanços tecnológicos, e agora vive em tribos e aldeias com novos costumes e maneiras de se expressar.

Isso é um dos grandes acertos da série, que apresenta uma maneira totalmente nova de contar história. A maneira como os personagens se portam para concluir seus objetivos e necessidades, é algo totalmente inovador, como a escrita que é feita com nós em cordas, ou as técnicas de combate — uma das melhores coisas que vi ultimamente, aliás —, ou até mesmo os costumes, cultura e religião desenvolvidas neste mundo.

Na trama, as coisas mudaram quando nasce duas crianças com o “poder” de enxergar, filhos de um misterioso homem chamado Jerlamarel (Joshua Henry), que também tinha a capacidade de ver. A mãe Maghra (Hera Hilmar), após ser deixada por Jerlamarel, que era foragido da Rainha Kane (Sylvia Hoeks), encontra Baba Vhoss (Jason Momoa), que é o líder de uma tribo e decide adotar as crianças, já que o mesmo não pode ter filhos. Nesse ponto da trama, com o universo criado ao redor dela, as coisas são muito interessantes; as pessoas que conseguem enxergar são considerados bruxas e feiticeiros, sendo assim, não sabemos o destino destes personagens que vivem em constante fuga do Caçador de Bruxas.

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Um dos pontos fortes que precisam ser citados, é a fotografia, muito parecida com o filme O Regresso (2015), e é um vislumbre visual, as cores frias em contraste do cenário, favorecem a mitologia criada pela série. E é muito bacana ver sociedades tribais passando por ambientes pós apocalípticos urbanos. Além da fotografia, as coreografias de lutas são incríveis embora é preciso ter um pouco de descrença, pois todos são cegos, como eles sabem quem deve atacar ou não?

Depois da metade da série, a trama perde força, o ritmo que apenas cresce com o decorrer dos episódios diminui. A trama que vinha acrescentando coisas inovadoras se perde ao questionar o que é ser “desenvolvido”, ou não. Até que ponto a evolução humana foi boa ou ruim. Para os personagens do mundo de See, os homens com visão foram que destruíram o mundo que Deus criou, por conta da tecnologia, de armas e guerras causadas por esses antepassados. E isso muda tudo o que vinha dando certo, pois antes do final da metade, a série trazia questionamentos e motivações inovadoras mas infelizmente, caiu em um ponto batido em produções de distopias.

Mesmo com essa “queda”, See encerra sua primeira temporada com ótimos e esperançosos ganchos para uma nova etapa. E foi com certeza uma da produções mais legais que saíram do ano de 2019 para 2020, e que merece uma chance com os fãs de séries do gênero. Com a segunda temporada por lançar, See promete ser uma grande aposta para o mercado de séries.

3.5

DE 5

Leonardo Vieira
Fã de quadrinhos e cinema, futuro jornalista e amante de robôs gigantes!