Crítica | Soul (2020)

Desde o lançamento de seu primeiro longa-metragem animado, em 1995, a Pixar vem mudando o conceito de “animação para crianças”, transformando seus filmes em obras voltadas a todas as idades, e estabelecendo novas formas de contar histórias recheadas de sentimentos, mensagens e personagens envolventes. E a “fórmula Pixar” se repete em Soul, a nova animação do estúdio lançada exclusivamente no Disney+ — por conta da pandemia de covid-19 que causou o adiamento e posterior cancelamento da exibição do longa nos cinemas. 

A produção conta com nomes de peso no elenco de dublagem como Jamie Foxx, Tina Fey, Questlove, Phylicia Rashad, Daveed Diggs e Angela Bassett; é dirigida por Pete Docter e co-dirigido por Kemp Powers; e conta com o roteiro de Mike Jones, Pete Docter e Kemp Powers.

A trama de Soul gira em torno de Joe Gardner (Jamie Foxx), um professor de música que se vê longe do sonho de se tornar um músico profissional. A vida de Joe parece mudar quando ele finalmente recebe um convite para se apresentar ao lado de uma das musicistas que mais admira, mas tudo vai por água abaixo depois de Joe sofrer um acidente e ir parar no “pós-vida”. Joe então se vê numa enrascada entre a vida e a morte e luta para voltar à vida e viver seu sonho, indo parar num lugar inimaginável fora dessa dimensão. 

Soul faz aquilo que a Pixar sempre faz: nos surpreender, seja pelo roteiro criativo, personagens cativantes, nível de detalhamento da animação ou trilha sonora. Soul é o conjunto de tudo isso. Um longa que usa como base a música e dilemas morais para traçar uma história cheia de personagens e diálogos que dão profundidade à história e importância aos dilemas morais e mensagens passadas pelo enredo, resultando num desfecho belo e bastante emotivo. 

Esse pode ser, para muitos, um dos filmes mais fracos da Pixar por conta de seu ritmo menos apressado e sem muitas cenas marcantes, no entanto é um dos filmes do estúdio que mais conseguem nos tocar sentimentalmente e nos passar mensagens em diversos momentos ao longo da trama, não só no seu fim. Soul é uma produção cuidadosa, criativa e engraçada, que usa diversos elementos para entreter o público e se fazer ímpar entre os demais filmes de animação já lançados. E sendo uma produção Pixar, traz uma carga emocional já esperada e não decepciona no roteiro. Deixa a desejar apenas no possível final aberto que o longa parece deixar, além de algumas pequenas pontas soltas relacionadas a alguns personagens, mas isso se torna compreensível ao lembrarmos que o estúdio pode voltar a explorar o universo criado em Soul e seus personagens em alguma produção para o Disney+.

Se ainda não assistiu, não deixe de ver. É uma bela animação cheia de mensagens boas. Soul já está disponível no Disney+.

Soul

Soul

Ano: 2020
Duração: 101min
Direção: Pete Docter
Roteiro: Pete Docter, Mike Jones, Kemp Powers
Elenco: Jamie Foxx, Tina Fey, Questlove, Phylicia Rashad, Daveed Diggs, Angela Bassett
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Nota 4 de 5
Ygor Castro
Uma das mentes por trás do CN42 e também criador do Megacreative. Geek, apaixonado por cultura pop, fotografia, livros, cinema, séries de TV, astronomia, arqueologia e História.