Crítica | The Boys – 2ª Temporada

No ano de 2019 estreava no streaming da Amazon a série The Boys, que se tornou uma das maiores surpresas do ano para o gênero de “super-heróis”, mas nesse caso, muito mais violento e sangrento que as demais produções do gênero. Sendo assim, as expectativas para segunda temporada eram altas, e a nova etapa chegou tão bem quanto a primeira, com muitas críticas atuais, ação, comédia, drama e violência.

A segunda temporada de The Boys provou que é possível manter a qualidade sem se prender a fórmulas já usadas. Nesse novo ano, a série mergulha na história de seus personagens, aprofundando ainda mais as características de cada um, diferente da primeira etapa, onde o tempo fora usado para apresentar cada um dos protagonistas e antagonistas da história. Em The Boys, não é necessário um “herói” cheio de moral para construir sua trama, como acontece nas demais produções do gênero, aqui, os personagens são todos caóticos, independente do lado em que atuam, porém com profundidade em suas histórias.

The Boys, de forma insana, faz boas críticas a problemas atuais que acontecem em boa parte do mundo, principalmente nos EUA, onde a história se passa, como o racismo, o crescimento de movimentos de supremacistas brancos, preconceitos com estrangeiros, principalmente aqueles que ficaram populares pelos americanos, como “terroristas”. A série conversa com metáforas e de forma direta sobre esse preconceito que existe no dia a dia dos americanos, colocando alguns personagens diretamente envolvidos nessas questões, proclamando discursos iguais aos que são vistos frequentemente contra minorias. E isso faz com que quebre outros paradigmas de filmes e séries de heróis, que normalmente não abordam questões importantes como essa.

Uma das coisas mais bacanas que a série entrega na segunda temporada, é o protagonismo feminino, colocando algumas personagens com questões importantes e relevantes que movimentam a trama. Na segunda temporada, Kimiko (Karen Fukuhara) e Starlight (Erin Moriarty), evoluem bastante como personagens, tendo motivações mais profundas do que na temporada anterior. E o mesmo para Queen Maeve (Dominique McElligott), que recebe finalmente a atenção que merecia, proporcionando interessantes e necessárias discussões sobre orientação sexual, relacionamentos abusivos e exploração da mídia por assuntos pessoais. Também temos que falar da nova personagem Stormfront (Aya Cash), que chega mostrando do que é capaz, trazendo novos assuntos polêmicos para o grupo Os Sete, e finalmente colocando alguém na altura do Capitão Pátria (Antony Starr).

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Aliás, o grande líder dos heróis da Vought expõe ainda mais sua megalomania e sociopatia nessa temporada. Na nova etapa, vemos um Capitão Pátria muito mais fragilizado emocionalmente do que na primeira temporada, ainda mais quando sua posição é desafiada, e graças a excelente atuação de Antony, o personagem consegue impor muito mais medo, pois a cada momento ele pode simplesmente matar todos a sua volta.

Na segunda temporada da série, também exploramos um pouco mais do passado dos controversos The Boys, o que traz ainda mais camadas aos personagens, tornando-os um pouco mais “humanos” do que estávamos acostumados na primeira etapa.

The Boys consegue ser uma mistura perfeitamente caótica de drama, ação e comédia, com assuntos importantes para serem discutidos, a série diverte e choca ao mesmo tempo, com as cenas brutais e diálogos reais. Um exemplo desses diálogos, é quando conversam sobre negócios e até aonde agimos em prol de lucros capitalistas e onde isso pode nos levar, ao mesmo tempo em que vemos cabeças explodindo. A segunda temporada faz jus a primeira e traz elementos que nos deixa com uma certa ansiedade para a próxima temporada.

4.5

DE 5

Leonardo Vieira
Fã de quadrinhos e cinema, futuro jornalista e amante de robôs gigantes!