Crítica | Willy’s Wonderland (2021)

Nicolas Cage é um dos grandes nomes de Hollywood pela sua carreira no cinema, marcada por boas atuações e escolhas duvidosas para seus papéis. Dentre essas escolhas duvidosas, o novo filme do diretor Kevin Lewis (Braven), figura muito bem entre essas obras, visto que nesse longa, o ator enfrenta robôs animatrônicos possuídos que tentam matá-lo durante uma noite inteira.

Com um roteiro muito semelhante ao clássico jogo 5 Nighs at Freddy’s, o filme Willy’s Wonderland segue a história de um homem muito quieto (Cage) que não tem seu nome revelado, e após ter os pneus de seu carro estourados em uma estrada de uma pacata cidade norte-americana, é levado a um trabalho de zelador no agora condenado restaurante de festas Willy’s Wonderland para pagar pelas despesas do conserto de seu carro. No entanto, as coisas pioraram quando ele se vê lutando por sua sobrevivência quando percebe que está preso em um pesadelo vivo povoado por animatrônicos possuídos.

O filme é um daqueles trash movies que extrapolam as possibilidades de ser levado a sério, pois conta com inúmeros momentos absurdamente cômicos e bobos que tiram qualquer tensão ou chances de assustar, já que se vende como um filme de terror. Há algumas qualidades que divertem bastante, bem mais do que o esperado — pelo menos após percebermos do que se trata o filme — que fazem valer a pena a experiência ao assisti-lo.

Além de Nicolas Cage, o filme conta com Emily Tosta, Beth Grant, Kay Kadlec entre outros atores não muito conhecidos que apresentam péssimas atuações. Em alguns momentos, é perceptível que alguns atores seguram o riso por conta da situação absurda em que se encontram, o que poderia de fato tirar a experiência do filme se ele fosse levado realmente a sério.

Mas quando se trata de Nicolas Cage e ideias duvidosas, a diversão é certeira. O personagem de Cage é a melhor coisa do filme, além dos animatrônicos, e mesmo sem falar nenhuma palavra sequer, o ator consegue entregar com postura facial e corporal, um personagem completamente insano e violento, enquanto aparenta não se importar ou não temer o que está acontecendo ali. Nicolas Cage, embora seja um grande ator renomado, candidato ao Óscar e tudo mais, parece que nasceu para esses papéis.

Os animatrônicos também são parte da diversão. O visual infantil e grotesco poderia ser bastante assustador se fossem bem aproveitados no roteiro, já que a música infantil que toca ao fundo nas cenas em que os monstros estão para aparecer, também é sinistra, mas acabam sendo apenas para a diversão do filme que está ligada à violência exacerbada.

A produção técnica também não ajuda para ambientar naquilo que o filme se vende, pois, há momentos em que a própria fotografia exagera na tensão com cores escuras enquanto a trilha sonora toca uma música tosca fazendo com o que o momento fique tão banal que é impossível não rir com a tentativa de susto. Mas há momentos bons também, quando o protagonista está em “modo fúria de combate”, a fotografia e a trilha sonora são colocadas de forma criativa, dando a entender que o personagem é no mínimo “maluco”.

É difícil avaliar um filme desses, pois se vende como ação e terror, mas acaba culminando em um filme trash de comédia que, embora seja bem bobo, é super divertido e caricato, valendo a pena a diversão para aqueles que buscam apenas diversão mesmo. Se assistir com isso em mente, é um ótimo filme trash para a lista de filmes do Nicolas Cage.

Willy’s Wonderland

Willy’s Wonderland

Ano: 2021
Duração: 90
Direção: Kevin Lewis
Roteiro: G. O. Parsons
Elenco: Nicolas Cage, Emily Tosta, Beth Grant, Kay Kadlec

NOTA

Leonardo Vieira
Fã de quadrinhos e cinema, futuro jornalista e amante de robôs gigantes!