Resenha | Como falar com garotas em festas — Neil Gaiman

Sinopse: Dois garotos lotados de hormônios, uma festa e mulheres com uma beleza de outro mundo. Indicado ao Hugo Awards de melhor conto em 2007, Como Falar com Garotas Em Festas é exatamente o que todo leitor espera de Neil Gaiman: inusitado e surpreendente. 

Neste conto que se passa nos anos ’70, conhecemos os amigos Enn e Vic, que entram na festa errada e têm diálogos inconvencionais com as convidadas. 

Primeiro, o modo como Gaiman nos envolve na narrativa é impressionante. Conforme as conversas acontecem, queremos descobrir mais, queremos mais detalhes, queremos que a festa nunca acabe. Algumas pistas quanto a origem das mulheres são mencionadas desde o início, quando o protagonista as descreve visualmente, representando o hábito do Ser Humano de tentar explicar o inexplicável.

[…] Todas tinham rostos perfeitos, mas, mais importante que isso, todas tinham alguma proporção estranha, alguma esquisitice ou sinal de humanidade, que é o que faz de uma garota bonita algo mais que um manequim de vitrine.

Segundo, cabe elogiar as alusões bem construídas do autor, que correlacionam o mundo das garotas da festa com o mundo “externo”. Todas as conversas sem sentido retratam a maneira como ambos os sexos não compreendem um ao outro, por viverem realidades diferentes, porém seguem atraídos pelo oposto, pelo desconhecido. 

Eu não entendia as palavras, mas seus versos tomaram conta de mim, perfeitos, e na minha mente eu via torres de vidro e diamante; pessoas com olhos de um verde muito claro e, a cada sílaba, sem parar, eu sentia o avanço implacável do oceano.

Por último, a ênfase no tempo passado, demonstra a importância do evento para os amigos até os dias de hoje. Esse fator mostra como Gaiman também retrata as dificuldades da transição do período da adolescência, para a vida adulta, onde por meio de um personagem introspectivo, podemos identificar as demandas sociais quanto ao comportamento

É difícil falar pelos outros e já faz trinta anos que não vejo o Vic. Não sei se saberia o que dizer para ele agora se o encontrasse.

Sem dúvidas, a Intrínseca acertou na elaboração do e-book, lançado há sete anos, que conta com uma capa ilustrada, com um quê de suspense. Também deve-se elogiar a diagramação da obra, já que muitas vezes as editoras deixam a desejar nesse aspecto em livros digitais. 

Como falar com garotas em festas é uma leitura rápida, mas que entrega um conto recheado de reflexões quase que subliminares, de qualidade impecável.

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5.0

DE 5

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Eduarda Suily

Bookaholic, estudante de jornalismo, amante de idiomas e cultura. Gosta de ler livros e criticar. E de ler história nos tempos livres. E, no CN42 escreve sobre isso.

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