Resenha | Neuromancer — William Gibson

Confesso que comprei este livro apenas por hype. Depois de ver pessoas dizendo que é o pai da cultura cyberpunk e a principal história que inspirou Matrix e Ghost in the shell, imediatamente coloquei-o na minha lista de compras. E o resultado foi um misto de amor e ódio pelas 340 páginas de Neuromancer, o primeiro da trilogia Sprawn.

William Gibson, o autor da obra, escreveu um livro de ficção cientifica cyberpunk no início dos anos 80, antes mesmo da tecnologia chegar, quando a internet era apenas um embrião e os computadores eram maiores do que uma minivan tamanho família. Gibson nos joga em um mundo totalmente diferente do que já foi visto (em relação a época) e, sem nenhum tipo de guia ou explicações sobre o que está acontecendo. É possível entender que uma grande corporação comanda o mundo, que pessoas tem implantes robóticos no corpo e que a história se passa num futuro bem distante, mas o que houve para chegar até aí, é um mistério.

A história segue o protagonista Case, um ex-cowboy (como são chamados os hackers em Neuromancer), que se aposentou de suas atividades quando ousou tentar enganar um dos seus chefões, ele colocou em seu corpo um tipo de toxina que o impossibilita de “logar” na Matrix, tirando as oportunidades de Case trabalhar. Logo de cara, da pra perceber que Case é um tipo de Han Solo, drogado e bêbado que quase não tem vontade de viver. Assim como boa parte dos personagens que aparecem nessa história.

Case então é perseguido por Molly, uma moça que depois vem ser conhecida como navalha que anda (ela é tipo uma X-23 com partes robóticas no corpo), que o recruta para um trabalho secreto contratado pelo Armstrong, um magnata “badass” que tem um plano criminoso de ponta, roubar a mega ultra power corporação chamada Tessier-Ashpool. No livro não deixa claro qual é a dessa empresa, ou talvez eu mesmo não tenha entendido. Em troca dessa Missão, Armstrong promete grana e liberdade das toxinas para Case.

E a partir dai começa a desenrolar a história, a cada etapa com personagens tão fodões quanto os protagonistas e um monte de reviravolta maluca que dão um nó no cérebro de quem está lendo, uma vez que se passa em um mundo imaginário que em momento algum recebe explicações sobre como funciona, e seguimos a trajetória de um protagonista que é confuso, que é o termo perfeito para caracterizar o protagonista, e o que justifica o porque a escrita é assim.

Em determinados momentos parece que a intenção de Gibson é essa mesmo, fazer com que conseguimos ter as sensações confusas e bizarras que essa história propõe. No começo é difícil se encaixar e entrar na trama, precisei ler e reler mais de uma vez alguns capítulos para que conseguisse entender (a versão da Aleph disponibiliza um glossário com algumas palavras, mas se você não tem noções de T.I só o Google para te salvar), porém, quando pegamos o embalo da história, notamos o quão incrível ela é. Este é um daqueles livros que você precisa entrar na história, não é possível apenas passar pelas páginas. Ou você lê ou lê!

Os últimos capítulos provam o quanto o autor foi visionário ao criar esse mundo. Em Neuromancer, as inteligências artificiais (que não citei para não dar spoilers) são implacáveis, capazes de tudo para conseguir o que querem. É um livro que fala sobre um grande roubo, com missões secundárias e protagonistas irados, mas, que mostra os perigos de criarmos aquilo que não podemos controlar (alô skynet), e como a ganância e o ego podem ser destrutivos para nós.

Isso tudo em um mundo que deu o conceito da Matrix (em alguns momentos cheguei a pensar que é o mesmo universo dos filmes com o Keanu Reeves), e toda “sujeira colorida de neons e carros voadores” que adoramos nas cidades cyberpunks de outras histórias da cultura pop, me fez querer voltar a esse universo e, com certeza vou ler as continuações.

O final é surpreendente!

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4.0

DE 5

Leonardo Vieira
Fã de quadrinhos e cinema, futuro jornalista e amante de robôs gigantes!
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