Resenha | Mario Prata entrevista uns brasileiros — Mario Prata

Sinopse: Mario Prata ressuscita personagens célebres da história do Brasil e usa toda a sua irreverência para arrancar confissões íntimas de figuras como Aleijadinho, Tiradentes e Xica da Silva. Ao ler as entrevistas do livro, o leitor se pergunta: afinal, tudo isso foi inventado por Mário Prata? O autor nos garante que não: é tudo verdade, embora sua verve torne tudo mais surpreendente, engraçado e picante. Dom Pedro I, a marquesa de Santos, Dom João VI contam tudo que o povo sempre quis saber e Mario Prata resolveu perguntar. Iça-Mirim, índio levado para a corte francesa, explica a origem da expressão “afogar o ganso”; Dom Casmurro (criação ficcional de Machado de Assis que o autor inclui entre os personagens históricos brasileiros) explica, afinal, quem traiu quem, e dona Maria, a louca, entre um cigarro (nem um pouco legalizado) e outro conta sobre seu reinado.

No século XVII, o filósofo francês René Descartes dizia que a leitura de todos os bons livros é uma conversação com as mais honestas pessoas dos séculos passados. Talvez Mario Prata tenha lido a mesma frase e se inspirado, de tal maneira, a criar uma obra que reunisse entrevistas fictícias com ilustres brasileiros de séculos passados e personagens importantes de nossa literatura. 

Antes, deixo registrado meu elogio ao design da capa, que chama a atenção com suas cores e caricaturas de alguns dos brasileiros entrevistados. Outro detalhe, muito agradável da parte da Editora Record, são as ilustrações que decoram a obra por dentro, entre um capítulo e outro. 

Sou uma leitora chata, analiso as circunstâncias, as motivações, os propósitos de cada cena em um livro. Por isso, foi com grande dificuldade que progredi em minha leitura. Mario usa, como artifício, um humor irreverente, que chega a beirar a vulgaridade em sua escrita. Nos deparamos com perguntas indiscretas quanto a sexualidade de personagens e boatos indiscretos que levantam questionamentos quanto a veracidade: 

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Será que D. Maria, a louca, diria algo assim? Padre Anchieta, seria tão parceiro?

D. Maria abre uma pequena bolsa prateada e tira uma cigarrilha já enrolado.

– Posso?

– Maconha?

– Haxixe. Aceita?

– Obrigado, me dá muita larica. Tenho maconha aqui.

– Se for do Maranhão, vou aceitar.

Diálogo do livro

Todo livro carrega um pouco do escritor, e não é segredo Mario Prata ser um famoso jornalista. Não seria esse o propósito da obra? Mostrar o lado negativo de um jornalismo que sobrevive de fuxicos e que ganhou mais espaço nos dias de hoje?

– E te digo mais: no site popcrunch.com está bem claro: aquela atriz, não sei o quê Roberts, ‘fica dias sem tomar banho. E também não lava o cabelo’

Vou conferir e acho em outro blog, www.fofocandoblog.com

Diálogo do livro

Outro fator, diretamente relacionado a essa questão, é a pesquisa utilizada no material do livro. Prata surpreende ao trazer detalhes sórdidos, no quesito histórico, nas introduções dos convidados, originando um interesse natural em querer saber mais sobre suas biografias. 

Ao mesmo tempo, assumo que a escrita me incomodou um pouco. É natural que cada autor possua um estilo próprio, porém a impressão que permanece é que todos os convidados dialogam de maneira similar. Questões como classe, gênero e épocas são deixadas de lado. Vale reiterar que, nesse caso, a intenção é clara: trazer leveza e humor ao texto e, até mesmo, um sentimento de igualdade e intimidade com quem está lendo, mesmo que sacrifique um pouco do contexto histórico.

Meu veredito é de que Mario Prata entrevista uns brasileiros, aborda questões negligenciadas, mas é uma leitura com poucas páginas e de fácil entendimento. 

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4.0

DE 5

Eduarda Suily
Bookaholic, estudante de jornalismo, amante de idiomas e cultura. Gosta de ler livros e criticar. E de ler história nos tempos livres. E, no CN42 escreve sobre isso.